Membros da bancada do PSOL protocolaram uma representação na Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).
A medida foi tomada após o parlamentar publicar, em suas redes sociais, uma montagem que simula a detenção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva por agentes federais dos Estados Unidos. A imagem faz alusão à recente operação norte-americana na Venezuela.
Na publicação, o deputado mineiro compartilhou uma imagem adulterada sugerindo que o presidente brasileiro deveria ter o mesmo destino de Nicolás Maduro, capturado por forças estrangeiras no início de janeiro de 2026.
A postagem gerou reações imediatas no Congresso, com parlamentares da base governista classificando o ato como uma afronta às instituições brasileiras.
Os autores da ação, o deputado Ivan Valente e o ex-presidente nacional do PSOL, Juliano Medeiros, argumentam que a conduta de Nikolas Ferreira ultrapassa a liberdade de expressão e a imunidade parlamentar.
Segundo o documento enviado à PGR, ao sugerir uma operação militar estrangeira em solo nacional para deter o chefe de Estado, o deputado estaria incitando crimes contra a soberania do país.
A representação cita a Lei nº 14.197/2021, que tipifica crimes contra o Estado Democrático de Direito. O texto da denúncia enfatiza que a imunidade material dos parlamentares não pode servir de salvaguarda para discursos que estimulem a violação da integridade territorial ou a submissão do Estado brasileiro a potências estrangeiras.
Além da ação na PGR, outras frentes jurídicas foram anunciadas. O vereador Leonel Camasão (PSOL-SC) informou que acionará o Ministério Público Federal (MPF) com uma representação similar.
A deputada Erika Hilton também se manifestou, indicando que tomará medidas legais contra o que classificou como apologia a um golpe de Estado e interferência externa.
O episódio ocorre em um momento de tensão diplomática na América do Sul, após a confirmação da captura de autoridades venezuelanas pelo governo dos Estados Unidos.
A publicação de Nikolas Ferreira insere o debate político brasileiro diretamente na crise regional, levantando discussões sobre os limites éticos e legais da atuação parlamentar nas redes sociais.