No último dia 25 de agosto de 2025, o pastor Jorge Luiz Oliveira dos Santos, conhecido por liderar uma igreja evangélica na Cidade de Deus, Zona Oeste do Rio de Janeiro, foi preso temporariamente.
Ele é acusado de crimes graves, incluindo estupro de vulnerável consumado e tentativa de estupro, envolvendo pelo menos cinco meninas, todas com idades entre 7 e 12 anos durante os episódios de abuso que ocorreram no passado.
As investigações que culminaram na detenção do pastor foram conduzidas pela 32ª Delegacia de Polícia, localizada em Taquara. De acordo com os relatos das vítimas, os abusos ocorreram em sua residência, onde o pastor se aproveitava da confiança das famílias para perpetrar os atos.
As declarações das meninas, agora adultas, revelam um padrão de manipulação e violência que perdurou por anos, com as vítimas muitas vezes sentindo-se incapazes de denunciar seus agressores devido à posição de autoridade que ele ocupava.
Os depoimentos dados à polícia apresentam semelhanças alarmantes. As meninas relataram que o pastor frequentemente entrava em seus quartos à noite, onde realizava atos sexuais sem consentimento.
Um dos relatos destaca que uma das vítimas, já na adolescência, foi pressionada a enviar fotos íntimas pelo celular. Outra mulher, que já era adulta, contou que o pastor invadiu sua casa, tentou agarrá-la e a beijar à força, levando-a a buscar ajuda nas autoridades.
Os ecos do trauma dessas vivências ressoam profundamente no presente das vítimas. Uma delas, agora com 19 anos, compartilhou que guardou esse segredo por muitos anos, mas que o apoio de outras mulheres a encorajou a falar.
As histórias revelam como o ambiente de confiança e devoção religiosa foi distorcido pelo pastor, que utilizou sua posição de líder espiritual para manipular e abusar das meninas.
Além do impacto psicológico, as vítimas enfrentam desafios emocionais significativos. A busca por apoio psicológico e grupos de acolhimento, como o projeto Empoderadas, tem sido crucial para ajudá-las a lidar com a ansiedade e as consequências dos traumas vividos.
Profissionais que trabalham com vítimas de abuso sexual ressaltam a importância de quebrar o ciclo do silêncio e encorajar a denúncia, independentemente do tempo que tenha passado desde os abusos.
Em meio a essa dolorosa realidade, as sobreviventes fazem um apelo a outras vítimas em situações semelhantes: não se sintam sozinhas e procurarem ajuda. Elas enfatizam a importância de falar e denunciar, independentemente de possíveis retaliações ou incredulidade por parte de familiares e comunidades.
O apoio psicológico e a conscientização são essenciais para que essas histórias de abuso não permaneçam ocultas, promovendo um ambiente mais seguro para crianças e adolescentes.
A detenção de Jorge Luiz Oliveira dos Santos é um passo importante na luta contra a violência sexual, especialmente no contexto de instituições religiosas, onde a confiança é muitas vezes explorada por aqueles em posições de poder.
As vítimas e ativistas esperam que esse caso não apenas promova a justiça, mas também inspire uma mudança cultural que proteja as crianças de abusos futuros.